A cultura do comer tem contribuído para um aumento da obesidade em família.
Os pais que não têm uma alimentação saudável acabam transmitindo os maus hábitos a seus filhos. Sabe-se que filho que nasce de um dos pais obeso, já tem 50% de chance de engordar. Se ambos os pais (o casal) tiverem excesso de peso, essa criança passa a ter 80% de chance de ser obesa.
Mas impressiona o dado mais recente de que é o ambiente e não a hereditariedade que determina a obesidade familiar. E qual o ambiente a que assistimos hoje?
A maioria dos pais vive uma correria diária com inúmeros afazeres: trabalho, estudos, tarefas rotineiras e uma série de outros compromissos seus e de suas crianças, que também têm uma agenda cheia com aulas de línguas estrangeiras, atividades físicas e cursos diversos. Nossa! É uma rotina estafante!
Ao final do dia, os pais exauridos, optam por alimentos que deem o mínimo de trabalho, tanto no preparo (mais rápido e fácil) quanto na aceitação (escolhidos pelas próprias crianças). Em prol da praticidade, rapidez e prazer oferecidos, o alimento adequado, mais elaborado e nutritivo é substituído pelo produto pronto, industrializado e pobre de nutrientes.
Esse modo de vida é notado por uma indústria poderosa que, com seu arsenal completo de recursos e profissionais altamente capacitados, se aproveita e estimula o consumo de seus produtos sem medir esforços. Vendedores de altíssimo nível adentram os lares pela mídia e manipulam as crianças para o consumo e os pais, exaustos, são vencidos e acabam por delegarem o poder de decisão: do que comer, da quantidade, dos horários.
É compreensível a não resistência aos insistentes produtos que pouco nutrem, mas tão práticos, variados, gostosos, acessíveis, disponíveis em todos os lugares e a qualquer hora e, principalmente, deixam nossas crianças “satisfeitas e felizes”.
Uma mudança é necessária. Mas como mudar?
Uma nova relação com a comida, a partir da conscientização e aprendizado de hábitos saudáveis de vida, é urgente. Mas, transformar os hábitos das crianças requer, muitas vezes, mudanças na rotina de toda a família. E esse é um grande desafio, mas possível e necessário se quisermos que nossas crianças sejam pessoas satisfeitas e felizes de verdade.

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