Até os 7 aninhos, as crianças definem o excesso de peso da vida adulta. Na obesidade infantil, haverá uma multiplicação das células adiposas (as células de gordura) com o aumento de seu número (hiperplasia). Dali, passam a ficar armazenadas e a cada aumento de peso essas células sofrerão aumento do volume (tamanho) celular. Resultado: criança obesa = adulto obeso, com percentual maior de gordura corporal para toda a vida.
Nossos filhos estão engordando
Muitas horas de vídeo-game, computador e televisão, alimentos industrializados, refeições congelados, lanches rápidos e tele-entregas são fatores que levam ao aumento de peso. Nós, os pais, assistimos perplexos o resultado que isso causa nas nossas crianças e nos sentimos impotentes sem saber como agir. É esta a questão, como ajudar nossos filhos? No mundo do respeito à individualidade e valorização da liberdade, acabamos perdendo a noção do que deve ser imposto e o que pode ser permitido. Qual a hora do limite, quem dita as regras e como estabelecê-las?

Muitas vezes acontece de nós, pais, perguntarmos aos filhos o que querem comer. Crianças e adolescentes preferem lanches rápidos como hambúrguer, pizzas, salgadinhos… normalmente, desprezando vegetais e frutas. Poderíamos questionar se eles têm condições de decidir sobre sua alimentação, sua nutrição e sua saúde. Como era na nossa infância e adolescência? Lembro que na minha, não era requisitada sobre minhas preferências alimentares, pelo contrário, deveria comer o que era oferecido e ponto. Não havia querer ou não querer, gostar disso e não comer aquilo. Nos finais de semana, aí sim, poderia ter uma sobremesa especial, um prato escolhido ou refrigerante, que se tomava quando estava doente ou em festividades familiares.

Obesidade infantil – pode ser uma escolha
Aumentou a oferta de alimentos em todos os espaços da vida social. Que bom não falta mais comida! Acabou a escassez. Mas, grande quantidade dos produtos alimentícios oferecidos é de baixa qualidade nutricional. Encontramos muitos produtos industrializados e enorme oferta de “alimentos-porcaria”, que nada ou muito pouco contribuem para a nossa saúde. Por outro lado, encontramos alimentos saudáveis como frutas, vegetais, carnes e cereais numa variedade e qualidade, muito superior a algumas décadas. Está tudo a nossa disposição. A escolha só depende de nós.

Por conta do cansaço das atividades diárias, das obrigações e da correria da vida atual, somos, muitas vezes, tentados a apelar para a comodidade da refeição rápida e de preferência das crianças. Mas não podemos abrir mão da importante tarefa de cuidar da saúde da família, que passa pela alimentação adequada e necessária ao seu pleno desenvolvimento. Pais podem e devem controlar a alimentação dos filhos. Somos os responsáveis por nossos pequenos e temos, pois, o poder e o dever de viabilizar o seu bem estar e qualidade de vida.
Criança tem que “voar” e, para isso, precisa ser leve
Neste “mundo da obesidade”, com uma gigantesca oferta de alimentos de baixa qualidade nutricional em todos os espaços da vida social, decidir por escolhas saudáveis é uma tarefa que demonstra amor e dedicação. Ter sempre à disposição alimentos saudáveis em casa, como frutas variadas, fazer o lanche para a escola, restringir biscoitos recheados e salgadinhos, limitar o tempo junto à televisão e computador são exemplos de atitudes que podem auxiliar. Para “compensar” esse lado “durão”, valem as dicas: criança adora brincar; adora ter companhia; adora ir ao parque, à praça, ter contato com a natureza, ficar ao ar livre. Lembrando que a recomendação de atividade física programada para crianças é hoje de cinco vezes por semana. Considerando que estão praticando uma a duas vezes na escola, o apelo fica aos pais, quem sabe um esporte em família?

Decidir pelo mais fácil, mais rápido e mais prático ou pelo mais elaborado, trabalhoso e demorado são opções, igualmente, ao nosso alcance. O resultado da escolha, certamente, refletirá no peso de nossos filhos. Criança tem que brincar, correr, pular, rir, praticar esportes e preferir tudo isso a comer em excesso. Criança, como os anjos, tem que “voar” e, para isso, precisa ser leve.

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